Relatório Anual 2025 do IMEC mostra como inclusão feminina ajuda a enfrentar a falta de mão de obra na construção civil
- Aline Rocha
- 9 de jul.
- 3 min de leitura
Documento reúne os resultados de 2025, ano em que o Instituto capacitou mais de 1,1 mil mulheres e promoveu mais de 1.500 horas de formação voltadas à qualificação e à autonomia econômica.

A construção civil brasileira vive um paradoxo. Enquanto empresas enfrentam dificuldades para contratar profissionais qualificados, a participação feminina no setor ainda permanece baixa. É nesse contexto que o Instituto Mulher em Construção (IMEC) lança seu Relatório Anual 2025, documento que reúne os resultados de um trabalho voltado à qualificação profissional de mulheres e à promoção da autonomia econômica por meio da construção civil.
Ao longo de 2025, o Instituto capacitou 1.111 mulheres, recebeu 4.074 inscrições, realizou 33 cursos e oficinas, promoveu 37 ações de capacitação, quatro aulões e somou 1.502 horas de formação técnica e desenvolvimento humano. As atividades contemplaram áreas como pintura, elétrica, hidráulica, instalação de pisos, uso de ferramentas, refrigeração e reparos, contribuindo para ampliar o acesso de mulheres a um setor historicamente ocupado por homens.
Com duas décadas de atuação, o Instituto Mulher em Construção já beneficiou diretamente mais de 10 mil mulheres e impactou outras 40 mil de forma indireta. Criado em Canoas (RS), o IMEC desenvolveu uma metodologia própria que combina qualificação técnica com temas como cidadania, autoestima e desenvolvimento de projetos de vida, fortalecendo as condições para que as participantes ingressem e permaneçam no mercado de trabalho.
"O ano de 2025 reafirmou a consistência do nosso trabalho. Mais do que capacitar, criamos condições para que essas mulheres se reconheçam como profissionais e se posicionem economicamente. Cada ação realizada reforça que a transformação que buscamos não é pontual, mas estrutural", afirma a diretora executiva do IMEC, Camila Alhadeff.
O relatório também registra um momento importante para a instituição. Ainda sob os impactos das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, o IMEC ampliou sua atuação com a aprovação de um projeto junto ao Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal. A iniciativa permitirá levar, até 2027, capacitação para 960 mulheres em quatro cidades gaúchas por meio do programa Cimento & Batom, voltado à formação profissional e à geração de renda.
Outro destaque do documento é a articulação com empresas e organizações que apoiam a inclusão produtiva feminina. Em 2025, o Instituto fortaleceu parcerias com companhias de diferentes segmentos, ampliou o programa Selo Rosa, que reconhece empresas comprometidas com a equidade de gênero, e desenvolveu ações alinhadas às agendas ESG, demonstrando como investimento social e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos.
Entre os relatos reunidos no relatório está a trajetória de Quenia Marisol Flores dos Santos, integrante da primeira turma formada pelo Instituto, há quase 20 anos. Depois de construir uma carreira na construção civil, tornar-se empreendedora e criar os filhos com a renda obtida na profissão, Quenia retornou ao IMEC em 2025 como instrutora do programa Cimento & Batom. Sua história representa o impacto de longo prazo da qualificação profissional e da autonomia econômica na vida das mulheres atendidas pela organização.
Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, o Instituto atua nas áreas de erradicação da pobreza, educação de qualidade, igualdade de gênero, trabalho decente, redução das desigualdades e igualdade étnico-racial. O relatório reforça que ampliar a participação feminina na construção civil não é apenas uma questão de equidade, mas também uma estratégia para enfrentar desafios relacionados ao mercado de trabalho, ao desenvolvimento social e à construção de cidades mais resilientes e inclusivas.




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